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LESÕES
POR ESFORÇOS REPETITIVOS x
CONSTRUÇÃO CIVIL
Érica
Rossler N. Vicentini
estudante do último ano de Fisioterapia na
Cesumar - Centro de Ensino Superior de Maringá
vicentini@wnet.com.br
RESUMO: O mercado está cada vez mais competitivo e as empresas buscam
diferentes estratégias para sobreviver nesta nova realidade. Algumas,
seguem a estratégia da melhoria da qualidade, modificando-se na
produtividade e em sua estrutura organizacional , visando uma maior
qualidade. Porém, as dificuldades encontradas nesta implantação se deve
com maior ênfase aos recursos humanos, onde o homem é considerado como
apenas mais um elemento do sistema de produção tendo que se adaptar às
mudanças do processo, muitas vezes inadequadas a ele. Porém a Ergonomia
propõe a adequação deste sistema ao homem. Este artigo demonstrará uma
análise dos trabalhadores da construção civil, identificando disfunções
do sistema trabalho X trabalhador, considerando os fatores ambientais que
influem diretamente e propor algumas recomendações que visem prevenir
problemas relacionados com cargas excessivas de trabalho,
melhorando a qualidade e as condições de vida do indivíduo que
trabalham nesta atividade.
Palavras Chaves: Homem, Trabalho, alteração postural e ergonomia
SUMMARY: The market is more and more competitive and the companies
look for different strategies to survive in this new reality. Some, follow
the strategy of the improvement of the quality, modifying in the
productivity and in its structure organizational, seeking a larger quality.
Even so, the difficulties found in this introduction are due with larger
emphasis to the human resources, where the man is considered as just more
an element of the production system tends to adapt to the changes of the
process, many inadequate times to him. Even so the Ergonomics proposes the
adaptation of this system to the man. This article will demonstrate an
analysis of the workers of the civil construction, identifying
dysfunctions of the system work X worker, considering the environmental
factors that influence directly and to propose some recommendations that
seek to prevent problems related with excessive loads of work, improving
the quality and the conditions of the individual's life that work in this
activity
Key words: Man, Work, posture
alteration and ergonomics
INTRODUÇÃO
Com a finalidade de demonstrar uma preocupação antiga, referente aos
trabalhadores da construção civil , foi elaborado, com a colaboração
das alunas: Ana Paula Scalabrin, Leila Giachini, Liana Tonin e Gabriela
Bozelli, estudantes do curso de Fisioterapia , este artigo onde, o intuito
, é localizar algumas
patologias mais comuns que abrange o setor da construção civil ,
para que se consiga uma
melhora na qualidade de vida deste trabalhador.
Descoberta durante a II Guerra Mundial como uma necessidade de conhecer o
homem e melhor adaptá-los as
invenções, surge a Ergonomia, , utilizada no estudo das relações que
se estabelecem no meio de trabalho, visando a melhora das condições ,
considerando não somente o ambiente físico, mas o organizacional,
permitindo uma produção maior e conseqüentemente melhoria na qualidade
do produto final
Com a análise do trabalho efetuado pelo trabalhador, torna-se possível
entender sua atividade ressaltando a postura, esforços,
informações gerais relacionadas
à empresa.
Um dos problemas ressaltados, em que os trabalhadores enfrentam no
manuseio de cargas pesadas, é a L.E.R. - Lesões por Esforços
Repetitivos incluindo, hérnias
discais, desvios da coluna e lombalgias,
tornando-se em problemas agudos
e crônicos.
Observa-se que, apesar dos avanços da tecnologia , muitas atividades
continuam sendo realizadas manualmente.
Para atingir o objetivo deste artigo,
fez-se necessário : um levantamento bibliográfico ; levantamento
dos problemas relacionados ao manuseio de cargas pesadas, fotos em numa
população do setor da construção civil com entrevistas e observações
sistemáticas da situação real de trabalho. E a partir destes pontos,
foi possível a elaboração de uma série de recomendações, quanto aos
aspectos organizacionais, atividades físicas e de como manusear e
movimentar cargas nestas situações.
Não pretendemos extrair todos os problemas, motivos e conseqüências,
neste tipo de atividades, e sim evidenciar alguns como, L.E.R., lombalgias
, alterações da coluna e hérnias; enfatizando um lugar para a ação da
fisioterapia dentro de uma Empresa de Construção Civil.
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
A origem do termo Ergonomia surge em meados de 1857 e dentro desta, faz-se
uma análise procurando evidenciar o que o trabalhador faz
concretamente.
Na descrição de LAVILLE (1976), há um conceito de ergonomia que pode
ser definido como "o
conjunto de conhecimentos científicos relativos ao homem e necessários
à concepção de instrumentos, máquinas e dispositivos que possam ser
utilizados com o máximo de conforto, segurança e eficiência .
A oficialização do termo, data de 1949, quando a primeira sociedade de
ergonomia foi criada, a Ergonomic Research Society, na Inglaterra.
Enquanto que, nos Estados Unidos utilizaram-se as denominações Human
Factors ou Human Engineeing.
GRANDJEAN (1982), definiu essa ciência multidisciplinar como a adaptação
do ambiente de trabalho ao homem e uma segunda definição, mais recente,
de 1997, Mendes descreve a ergonomia como um estudo do comportamento do
homem em relação ao seu trabalho.
Segundo WISNER (1987), esta metodologia estuda o conjunto formado pelo
trabalhador e seu posto de trabalho ou, às vezes, vários trabalhadores e
o dispositivo técnico e, utiliza dentro de certos limites, a noção do
sistema homem-máquina.
Em fábricas cada trabalhador recebe
suas atividades diárias , sendo que o ritmo é imposto , e em um
canteiro de obras na construção civil, não há controle do ritmo e do
modo como o trabalhador executará suas tarefas.
A melhoria da segurança e saúde no trabalho nas organizações é difícil
de ser alcançada porque a maioria das organizações têm ainda uma visão
muito limitada. Acidentes e lesões, por exemplo, são ainda sempre
relacionados à causas simples, como o erro humano (NAGAMACHI & IMADA,
1992).
Para MOUTMOLLIN (1993), a análise ergonômica do trabalho permite não
somente categorizar as atividades dos trabalhadores como também
estabelecer a narração dessas atividades permitindo, conseqüentemente,
modificá-las.
O Sindicato da Indústria da Construção civil do estado de São Paulo,
devido à alterações sofridas pela Norma Regulamentadora n.º 18 - Condições
e meio ambiente do trabalho na indústria da construção, publica um
Manual de Aplicação da NR
18.
Este, constituem uma lista de verificação que norteia as ações da
fiscalização do trabalho, apresentam itens aos quais as empresas devem
atender afim de que possibilite a redução dos riscos de acidentes do
trabalho e tenham maiores índices de qualidade e produtividade. (PCMAT -
7/07/1995).
Esta exigência tem como objetivo assegurar que as empresas da construção
desenvolvam um programa preventivo de acidentes e doenças do trabalho,
servindo de ponto de partida para implementação de um sistema de gestão
da segurança do trabalho visando a diminuição ou eliminação dos
acidentes em várias etapas do processo de produção.
Durante todas as etapas do processo produtivo da construção ,
verifica-se a presença de riscos profissionais nos canteiros, ou seja,
agentes existentes nos locais de trabalho, em virtude das precárias condições,
afetando a saúde e a segurança do trabalhador, classificando-se em
operacionais e de ambiente.
Sendo os mais comuns: defeitos e falta de proteção em máquinas e
equipamentos, instalações elétricas deficientes, falta de dispositivos
de proteção ao acesso da obra, entre outros.
Segundo a Norma Regulamentadora (NR) 9, do Capítulo V, do Título II, da
Consolidação das Leis do Trabalho, relativas à Segurança e Medicina do
Trabalho, consideram-se riscos ambientais os agentes físicos, químicos e
biológicos existentes nos ambientes de trabalho e capazes de causar danos
a saúde do trabalhador, em função de sua natureza, concentração ou
intensidade e tempo de exposição.
Consideram-se agentes físicos formas de energia a que possam estar
expostos os trabalhadores, tais como: ruídos, vibrações, temperaturas
extremas, pressões anormais, radiações ionizantes e não ionizantes.
Consideram-se agentes químicos as substâncias, compostos ou
produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória nas
formas de poeiras, fumos, neblinas, névoas gases ou vapores, ou que pela
natureza da exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo
organismo através da pele ou por ingestão.
Consideram-se agentes biológicos, dentre outros: bactérias, fungos,
bacilos, parasitas, protozoários e vírus.
Os agentes físicos presentes durante todas as fases do processo produtivo
no canteiro de obras são: calor, radiações solares, ruídos e vibrações.
Diante dessa diversidade de riscos presentes nos canteiros de obra e das
precárias condições de trabalho a que estão submetidos os operários
da construção civil, verifica-se a real necessidade e importância de um
planejamento de segurança do trabalho, passando então, a entender a
Higiene e Segurança como um sistema que está inserido no gerenciamento
total da empresa, interagindo com todos os setores da mesma e com o meio
ambiente.
Além dos fatores acima citados, as posições da vida diária, sejam de
nosso trabalho ou de nosso lazer, induzem a um grande desequilíbrio
muscular, levando a atrofias , desgastes e estresse de estruturas que
promovem nossa estabilidade física.
Os trabalhos em contração prolongada de músculos, executando esforço
repetitivo, tornam-se prejudiciais ao metabolismo dos tecidos,
principalmente tendões, levando a quadros crônicos de dor e inaptidão.
A Lesões por Esforços Repetitivos,
hoje DORT - Doenças Osteomusculares Resultantes do Trabalho,
apesar de ser uma doença relativamente moderna, vem se tornando uma praga
social, mais alarmante que a AIDS. Já se conhecem
todos os tipos de patologias relacionadas com traumas e doenças
sistêmicas e vícios posturais, porém, a L.E.R., é patologia em que o
funcionário só quer ver produção e não acredita
que leve a seqüelas irreversíveis .
Iniciando pela nossa coluna, há presença de curvas definidas, que se
alteradas modificam toda a harmonia do corpo, trazendo portanto conseqüências
que comprometeram a qualidade de vida de um indivíduo.
Na figura abaixo, pode-se observar as estruturas da coluna vertebral.
Fonte: URL: http://www.saudetotal.com/infomed/links/anatomia.htm
Fonte: http://www.vanet.com.br/ergum/
Juntamente com nossa coluna vertebral, existem "coxins", discos
intervertebrais que protegem entre uma vértebra e outra
promovendo mobilidade para a coluna e amortecem as cargas que
recaem sobre a coluna vertebral. São compostos de núcleo pulposo ,
material maleável , tipo "gelatina" e circundada por um anel
fibroso, protegendo o núcleo, evitando assim, o extravasamento, de acordo
com a figura abaixo.
Fonte: http://magnaspine.vila.bol.com.br/que_e_hernia_de_disco.htm
PATOLOGIAS DA COLUNA:
Devido à insuficiência de queixas identificadas durante nossa entrevista
relacionadas a posturas ou esforços do trabalho,
sugerimos algumas patologias que poderiam ser encontradas como:
* Hérnias na coluna vertebral ,devido à posturas incorretas e cargas
acima do limite do indivíduo.
O Dr. Morris Fishbein, descreve as hérnias como qualquer protusão de
parte de um órgão ou tecido através de uma abertura anormal ou, pelo
menos anormalmente dilatada.
A coluna vertebral como um todo está estruturada e unida de tal modo que
só pode romper-se pelos choques violentos. Pode suportar um peso muito
maior do que o do corpo de que faz parte e mover esse corpo praticamente
em qualquer direção.
Pode realizar que é capaz de realizar uma gama de movimentos que
compreende desde a carga de fardos, até contorções do acrobata, tudo
isto devido aos discos intervertebrais.
Com o passar do tempo, após a maturação do organismo, o disco
intervertebral perde o seu poder de hidrofilia tornando-se menos hidratado
e assim, fica vulnerável à ruptura do seu anel fibroso (figura 1).
Figura 1
Fonte: http://www.dornascostas.com/desvios_posturais.htm
Fonte: URL: http://www.laguna.com.br/cfraturas/Coluna.htm
Pode causar compressão das raízes nervosas no canal vertebral ou gerar
processos inflamatórios . Estas lesões, conforme a localização em que
se estabelecem, são responsáveis por sintomas e sinais gerados , como
exemplo: hérnia de disco
lombar, gera dor lombar e
irradiada para os membros inferiores
As
hérnias discais mais freqüentes estão localizadas entre a quarta e a
quinta vértebra lombar (L4/L5) e a quinta vértebra lombar e a primeira
sacral (L5/S1) que são os pontos de maior estresse da coluna vertebral. A
hérnia lombar ocorre devido ao excesso de carga que a coluna
suporta.
Na região cervical, os discos mais comprometidos estão localizados entre
a quarta e a quinta vértebra cervical (C4/C5), entre a quinta e a sexta vértebra
cervical (C5/C6) e entre a sexta e a sétima vértebra cervical (C6/C7).
As hérnias discais cervicais incidem mais freqüentemente nas pessoas
estressadas e tensas. Já a dorsal é mais rara, pois nesta área a coluna
tem o suporte dos arcos costais (costelas).
É importante esclarecer que uma vez rompido (Fig. 1), o disco
intervertebral não tem regeneração. Portanto, cada ruptura compromete
de forma crescente a estabilidade vertebral, agravando de forma
progressiva as dores e incapacidades causadas pela doença.
* Lombalgias, escolioses e cifoses podem ocorrer devido à inúmeras
posturas incorretas utilizadas durante a execução das tarefas,
demonstradas com fotografias nos anexos .
Uma pesquisa norte americana ressalta os chamados problemas de coluna,
como uma parcela significativa de todas as lesões oriundas do local de
trabalho . Essas doenças, que provocam a ausência do empregado, "já
imaginaram trabalhar 8 horas por dia com dor ? "
Dentre os candidatos de maior risco, é claro, estão aqueles que
manuseiam qualquer tipo de material e
aquelas que por sua atividade, possuem ou adquirem uma má postura em seu
posto de trabalho.
A má postura causa fadiga e é uma das causas da baixa motivação e
diminuição da produtividade.
Figura A: Mostra como a curva lombar é forçada para a frente nas pessoas
com excesso de peso e naquelas com costas curvadas.
Figura B: Mostra como os ombros caídos podem tensionar a região lombar e
exercer pressão sobre os discos.
O risco de lesões da coluna é altamente influenciada por fatores como
idade, tensão e condicionamento físico. Escolioses e cifoses podem
ser alterações devido à inclinações para suporte do peso extra
( posturas incorretas).
Fonte:
http://www.santalucia.com.br/ortopedia/postural.htm
Com a prevenção consegue-se : diminuição custos, aumento
produtividade, aumento motivação, busca do bem comum.
* Tendinites de ombro e punho devido à ombros elevados por longos períodos
e/ ou fadiga de ombro, devido aos braços acima do nível dos ombros e
movimentos com musculatura contraída e repetitivos ( ex. movimentos com
colher de pedreiro), incluindo estas lesões nas L.E.R.
A chamada tendinite consiste na inflamação do tendão dos músculos que
servem o polegar e os primeiros dedos da mão. Afetam principalmente os
braços, a região escapular e o pescoço.
As doenças decorrentes das situações de risco mencionadas podem se
manifestar isoladamente ou associadas, entre si ou com outras doenças.
As L.E.R., de acordo com a localização de incidência e a parte afetada,
classificam-se basicamente em:
- Tendinite do Supra-Espinhoso: inflamação do tendão do músculo
supra-espinhoso em torno da articulação do ombro, decorre principalmente
de atividades repetitivas do braço e de exercício muscular excessivo,
sintomas de sensação de peso até dor violenta no local.
- Tendinite do Bicipital: inflamação do tendão do bíceps; também
decorre de atividades repetitivas do braço e do exercício muscular
intensivo ou de traumas no ombro.
- Síndrome do Túnel do Carpo: decorrência da compressão do nervo
mediano na altura do carpo; envolve um estreitamento do túnel do carpo,
pelo espessamento do ligamento anular do carpo, provocando atrito entre
tendões e ligamentos.
- Síndrome do Desfiladeiro Torácico: decorrência da compressão de
vasos e nervos entre o pescoço e o ombro na saída do tórax que passa
por um canal delimitado pela clavícula, primeira costela e músculos;
este canal pode se estreitar mais ainda ao se trabalhar com a cabeça
elevada ou por vícios de postura.
Os sintomas que evidenciam as afecções determinam os níveis de estágio
da L.E.R. A displicência nas medidas de prevenção e segurança pode
levar à seguinte evolução:
GRAU I: sensação de peso e desconforto com pontadas ocasionais, havendo
melhora com repouso; embora a dor seja leve e fugaz, toda mobilização
deve ocorrer para uma boa expectativa de recuperação.
GRAU II: dor mais intensa com sensação de formigamento e calor,
manifestação de dor inclusive nas tarefas domésticas com leve atenuação
no repouso; sente-se nesta fase um decréscimo produtivo com riscos de
permanência no emprego,
GRAU III: dor forte persistindo ainda no repouso; perda da força
muscular, com tarefas domésticas executadas ao mínimo. Reservas quanto
à recuperação.
GRAU IV: dor às vezes insuportável, perda da força e dos controles
musculares; invalidez para qualquer tarefa produtiva, depressão, angústia
e perda de produtividade
MÉTODO:
A análise da atividade foi baseada nas entrevistas com funcionários e no
acompanhamento de algumas de suas atividades no canteiro de obras.
Através das respostas obtidas, assim como das observações realizadas no
local de trabalho, pôde-se constatar o grau de dificuldade das tarefas e,
a distribuição do seu tempo entre as diversas atividades. Além disso,
os dados obtidos pela análise colaboraram significativamente para a
elaboração das recomendações
O trabalho na construção civil se desenvolve sob a influência de
diversos agentes já descritos, sendo que
o efeito desses agentes são fatores determinantes da velhice
precoce e doenças profissionais dos operários.
Porém, com relação ao carregamento de cargas, é onde encontramos com
um dos maiores vilões, as
L.E.R., seguida de hérnias,
lombalgias e alterações na coluna , sendo que o risco de lesão aumenta
se as exigências da tarefa excede a capacidade do trabalhador.
A manutenção de postura inadequada, principalmente na região dos
membros superiores como: braços, ombros e punhos, devido posturas estáticas
do corpo, mantidas por tempo prolongado, favorecem um metabolismo anaeróbio
dos músculos e conseqüente irritação nos receptores do sistema
nervoso.
O trabalhador que exerce suas tarefas em posturas desfavoráveis, sente o
aspecto desagradável da postura, aumento da fadiga e a longo prazo,
problemas funcionais graves. O funcionamento do organismo fica prejudicado
se ele experimenta regularmente uma sobrecarga estática.
A ação de levantar pesos não agride apenas a coluna vertebral, pode
causar agressões ao sistema locomotor;
aumento de pressão intra-torácica; aumento da pressão
intra-abdominal; alterações circulatórias e fadiga muscular.
O treinamento muito disseminado, tem se mostrado ineficaz na prevenção
de lesões sendo indispensável o planejamento ergonômico das tarefas,
porém na construção civil é um pouco mais complexo, pois não contam
com mobiliário e sim com a conscientização de cada indivíduo, desde
engenheiro e demais membros da organização.
O movimento é um sistema complexo que requer uma correlação entre causa
e efeito para que haja uma adaptação total do homem com o trabalho.
Tem-se então, que conhecer os tipos de movimentos (trabalhador - tarefa -
ambiente) e a capacidade do homem em se adaptar ou se ajustar.
Os resultados apresentados foram obtidos por meio de entrevistas com 11
funcionários dos canteiros de obra de uma empresa em Maringá-Pr.
Devido nosso país não fornecer respaldo as nossas microempresas , esta,
não inclui em seu quadro ou em sua estrutura, tratamento aos
funcionários se restringindo somente a dois engenheiros, um arquiteto,
secretária, assistente administrativo e os operários da construção,
contratados por empreitas.
RESULTADOS E DISCUSSÂO:
Quadro 1:
|
Idade
|
Quantidade
de funcs.
|
N.º
filhos
|
Quantidade
de funcs.
|
|
16
anos
|
1
|
1
|
01
|
|
27
anos
|
1
|
2
|
01
|
|
29
anos
|
1
|
5
|
01
|
|
35
anos
|
1
|
11
|
01
|
|
42
anos
|
1
|
3
|
02
|
|
43
anos
|
3
|
4
|
02
|
|
48
anos
|
1
|
Não
tem
|
03
|
|
53
anos
|
1
|
|
|
|
65
anos
|
1
|
|
|
A
faixa etária de maior concentração do estudo foi de 40-55 anos, sendo a
média das idades 40 anos, entre os sujeitos observados.
A quantidade de filhos ,ficou em
uma média de 3 filhos por funcionário.
Alguma questões relevantes identificadas junto aos sujeitos:
Quanto a Escolaridade, a população tem um nível de baixo , em geral,
todos freqüentaram escolas e a maioria completou o 4º ano do primeiro
grau.
A maioria da população entrevistada é proveniente do interior do Estado
do Paraná, sendo a minoria do
estado de São Paulo e Mato Grosso.
Com relação ao inicio da Profissão , a maior parte desta população é
oriunda do setor da agricultura ou de trabalho como vigilante, com início
precoce .
O lazer destes funcionários é principalmente futebol, pesca, alguns não
possuem lazer e outros preferem ficar assistindo televisão.
A alimentação desta população é favorável, porém não sendo
quantidade suficiente de substâncias necessárias para organismo. Os próprios
trabalhadores trazem sua alimentação em vasilhas que serão reaquecidas.
Sobretudo a jornada é das 8:00 às 18:00 horas, com intervalo de 1(uma)
hora para o almoço e 15 minutos para o café, onde eles podem descansar .
Não foi identificado faltas freqüentes, devido estarem preocupados com
demissão.
Durante o trabalho, estes funcionários carregam peso em média de
30-40Kg, incluindo subidas, descidas, torções e posturas inadequadas
para tal.
Com relação as cargas e movimentos solicitados durante as tarefas , na
construção civil há um alto índice de acidentes que podem ser por
falta de controle destes ou pelo próprio risco dentro da profissão.
Estes podem produzir danos, comprometendo a sua saúde, segurança e a
produtividade como conseqüência.
As cargas de trabalho também são influenciadas pelas posturas adotadas
durante a realização das tarefas. Os dados foram analisados por observações
das posturas durante as atividades no canteiro de obras e comparada as
queixas com relação à saúde.
A queixa mais comum de dor é a região lombar, com algumas reclamações
em pescoço, braço, região abdominal e por cansaço.
As posturas mais assumidas são: tronco curvado (de pé ou sentado), torção
de tronco, elevação de membros superiores por longos períodos ou com
movimentos repetitivos, incluindo sobrecarga além do que o ser humano
pode suportar.
Os operários na construção não são treinados e orientados para
adotarem uma postura correta na execução de suas atividades e essas
posturas com o decorrer do tempo acarretam problemas para o trabalhador.
O quadro de dor durante ou após realizar as tarefas , foi uma pergunta
que causou
indagações pois estes operários podem ser capazes de sentir algo
e não se manifestarem, devido ao "medo" de serem rejeitados
pela empresa ou de não estarem sendo mais úteis para o trabalho
determinado.
Há também perigos freqüentes, como : quedas de lugares altos, perfurações
por materiais e entulhos espalhados, choques elétricos, lesão por
queda de objetos, dores nas costas e ombro.
O uso de medicamentos tem como resposta, em termos, satisfatória pois, a
maioria só faz uso de medicamentos, quando necessário , porém alguns
fazem uso da automedicação.
A evolução da L.E.R/ DORT, além das alterações clínicas verificadas,
tem uma série de repercussões na vida do trabalhador:
O trabalho torna-se ainda mais penoso e tudo a ele relacionado, o que
amplia espaços na vida do trabalhador passa a adquirir conotação
negativa. Desabafos iniciais, muitas vezes, são recebidos de outra forma,
penalizando mais ainda o portador desse sofrimento.
Com o seu afastamento do trabalho, outros fatores negativos são
desencadeados, gera reflexões e considerações negativas ligadas à
insuficiência da capacidade de realização de trabalho, desembocando,
assim, em: perda de auto-estima, sentimento de inferioridade, angústia,
sofrimento.
Instala-se no trabalhador uma depressão gerando um isolamento crescente
que aponta para o aumento de absenteísmo (ausência e desmotivação).
Surge nisto tudo, ainda, o comprometimento da saúde mental por onde passa
o eixo que rege o indivíduo na sua totalidade.
Conforme a colocação neste trabalho, podemos dizer que, o fisioterapeuta
do Trabalho, que é um acontecimento recente, poderá atuar de forma
corretiva, através de condutas ambulatoriais e de maneira preventiva,
através de avaliações, orientações e projetos ergonômicos, orientações
aos funcionários sobre Ergonomia e
sobre como colaborar com a empresa na conservação da saúde dos seus,
enfatizando também as medidas a serem aplicadas em casa.
O retorno para este investimento poderia ser a médio ou longo prazo de
acordo com as aplicações necessárias, sendo suas vantagens de aplicação:
- Redução dos afastamentos ao trabalho
- Facilidade para aplicar tratamentos especializados
- Melhora no ritmo de recuperação, com volta mais rápida ao trabalho.
Dentro de tudo o que foi apresentado ,concluímos que se consiga efetuar
um trabalho de prevenção , conforme consta na PCMAT - 07/07/95, onde se
coloca a necessidade de um trabalho preventivo evitando patologias como as
descritas neste artigo e melhorar a qualidade de vida dos funcionários da
área em questão.
Com uso de técnicas de trabalho ajustadas de acordo com o serviço de
cada trabalhador.
Sempre lembrando que ao investir na prevenção, na saúde dos
trabalhadores, é o caminho certo para produtividade, aumento da eficácia
e motivação , aumentando os lucros e diminuindo os custos.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
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Paulo:
FTD/Oboré, 1987.
TAYLOR, Frederick W. Princípios de Administração Científica. São
Paulo, Atlas, 7a Edição,
1978.
NAGAMACHI, M., IMADA, A.S.. Macroergonomic Approach for Improving Safety
and Work Design. Proceeding of the Human Factors Society 36th Annual
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PROENÇA, R. P. C. Ergonomia e Organização do Trabalho em Projetos
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Volume II, 2ª Edição, 1966 19 |