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TREINAMENTO
FISIOTERAPÊUTICO NA FIBROMIALGIA (FM)
Profa.
Amélia Pasqual Marques
ROTEIRO:
Histórico
Conceito
Sintomas
Critérios diagnósticos
Dados demográficos
Etiopatogenia
Avaliação fisioterapêutica
Tratamento
Referências Bibliográficas
Classificação
das doenças reumáticas: Achiles Cruz Filho, Clínica reumatológica,
Rio de Janeiro, Guanabara, 1980.
1.
Doenças do tecido conjuntivo aceitas como reumáticas
A.
Articulares
1.
inflamatórias
* febre reumática
* artrite reumatóide - adulto e criança
* espondilite anquilosante
2.
degenerativas
* Osteoartrite ou artrose
* Sindrome do disco intervertebral
B.
Não articulares
*
Fibromialgia
* Sindrome dolorosa miofascial
* Tendinites
* Miosites
Histórico
As primeiras referências a quadros que lembram a fibromialgia
foram de BALFOUR em 1824, e VALLEIX em 1841, que descreveram
pacientes com pontos musculares hipersensíveis à palpação
e passíveis de desencadear dor irradiada (GOLDENBERG, 1987,
apud MARTINEZ, 1998 ).
Em
1904 STOKMAN descreveu áreas musculares específicas
e sensíveis à digito-pressão.
O autor realizou biópsias dessa região e encontrou um
processo inflamatório do tecido conjuntivo.
No mesmo ano GOWERS, utilizou pela primeira vez o termo
fibrosite que desde essa época vem sendo usado para uma variedade de
entidades clínicas que envolvem as partes moles.
COLLINS
(1940) definiu fibrosite como sendo um estado doloroso agudo, subagudo
ou crônico dos músculos, tecido subcutâneo, ligamentos, tendões e
aponeuroses (GRAHAM, 1956, apud MARTINEZ, 1998).
SMYTHE
em 1977, restringiu o uso da palavra fibrosite à sintomatologia de
pacientes que apresentavam dores musculoesqueléticas difusas
acompanhadas de pontos dolorosos à digito-pressão, fadiga e distúrbios
do sono (SMYTHE E MOLDOFSKY, 1977).
Em
1981 YUNUS et al. Propuseram o termo fibromialgia que vem sendo
adotado pela maioria dos autores.
Conceito
Fibromialgia é uma sindrome dolorosa de etiopatogênia desconhecida,
que acomete preferencialmente mulheres, sendo caracterizada por dores
musculoesqueléticas difusas, sítios dolorosos específicos,
associados freqüentemente a distúrbios do sono, fadiga, cefaléia crônica
e distúrbios psíquicos e intestinais funcionais (Martinez, 1998).
Sintomas
Os sintomas incluem dores musculoesqueléticas difusas, distúrbios do
sono, fadiga, rigidez matinal de curta duração, sensação de edema,
parestesias, cefaléias crônica e síndrome do cólon irritável.
Estes sintomas podem modificar-se de acordo com algumas condições
moduladoras: alterações climáticas, grau de atividade física,
estresse emocional, etc. Fazem parte dos sintomas dolorosos a alodínea
(dor resultante de estímulo que não seria doloroso) e disestesias (
sensação desagradável que varia desde amortecimento até agulhadas
sentida nas extremidades).
Critérios
diagnósticos
Em 1990, o Colégio Americano de Reumatologia, tentando uma uniformização,
publicou trabalho de seu Comitê Multicêntrico para Classificação
da Fibromialgia que foi coordenado por WOLFE (1990), estabelecendo os
seguintes critérios que devem estar presentes por um período mínimo
de três meses:
*
História de dor difusa
* Dor em 11 de 18 pontos dolorosos: (inserir figura com os tender
points)
* Occipital
* Cervical baixa
* Trapézio
* Supraespinhoso
* Epicondilo lateral
* 2o
espaço intercostal
*
Glúteos
* Grande trocânter
* Joelhos
Além
deste permanecem como critério diagnóstico os sintomas citados.
Neste mesmo trabalho fica abolido o termo Fibromialgia primária e
secundária ficando apenas o termo FIBROMIALGIA.
Tender points X Trigger
points
Pacientes
com fibromialgia (FM) e com a síndrome de dor
miofascial (SMF) tem aspectos comuns entre eles a dor musculoesquletica
crônica. Em ambas as desordens, são propostos tratamentos
para diminuir a dor e melhorar a função, porém as estratégias
são diferentes.
Os
trigger points são comuns na SMF e são tratados localmente com injeções,
sprays e alongamento; técnicas de liberação miofasciais;
alongamento e resistência e exercícios posturais específicos nas
regiões envolvidas.
Os
tender points são tratados com remédios sistêmicos incluindo medicação
oral, alongamento global, condicionamento aeróbico e trabalho
cognitivo-comportamental.
O
que é tender point?
É uma área sensível no músculo, junção tendão músculo, coxim
gorduroso ou região da bursa.
O
que é trigger point?
É um local irritável, localizado em uma estrutura de tecido mole,
mais freqüentemente o músculo, caracterizado por baixa resistência
e pela alta sensibilidade em relação a outras áreas (Fisher,
1995a). Quando se pressiona esse ponto por 30 segundos com uma pressão
moderada, surge uma dor referida. Para Teixeira (1995), o ponto
constitui uma degeneração de fibras musculares, destruição de
fibrilas musculares, aglomeração nuclear e infiltração gordurosa
em áreas de degeneração muscular.
Um
ponto é dito ativo quando é um foco de hiperirritabilidade sintomática
no músculo ou fascia com padrão de dor referida (dor espontânea ou
ao movimento, e bandas tensas).
CONCLUIR
Dados
demográficos
Há
poucas informações disponíveis, e os citados pela literatura
são anteriores a 1990 quando os critérios diagnósticos não
estavam claros.
A idade do início da doença é muito variável situando-se
entre 12 e 55 anos, porém a média de idade de aparecimento
dos sintomas está entre 40 e 55 anos. A literatura cita
um predomínio na raça caucasiana e quanto ao sexo é predominantemente
feminina.
Etiopatogenia
Atualmente são levantadas três hipóteses para explicação da
fisiopatologia desta síndrome, que envolvem alterações nos sistemas
musculoesquelético, neuroendócrino e sistema nervoso central.
Em
virtude da dor muscular ser o sintoma primário da Fibromialgia,
pensou-se no sistema musculoesquelético como originário da síndrome.
De acordo com uma recente revisão bibliográfica de WEIGENT et
al. (1998), a maioria dos estudos controlados sobre o tecido muscular
de pacientes com Fibromialgia, não mostram forte evidência de que o
defeito neste músculo possa ser a causa primária da síndrome.
Contudo, alguns pesquisadores (FAMAEY et al.,1991; OLSEN e PARK,1998)
sugerem que as alterações ou anormalidades bioquímicas dos músculos
poderiam contribuir para os sintomas da Fibromialgia.
FAMAEY
et al. (1991),
em seu estudo, observaram um padrão de tetania latente e uma redução
da habilidade de relaxamento do músculo, assim como um nível de cálcio
sanguíneo reduzido nos pacientes com Fibromialgia.
OLSEN
e PARK (1998) estudaram o metabolismo muscular de pacientes com
Fibromialgia utilizando a espectroscopia de ressonância magnética
P-31, que é uma técnica não-invasiva de determinação de quaisquer
alterações dos metabólitos.
Concluíram, em seu trabalho, que os pacientes fibromiálgicos,
comparados aos indivíduos controles, apresentavam níveis
significativamente mais baixos de fosfocreatina e
adenosina-trifosfato, além de níveis significativamente mais altos
de adenosina-difosfato, ambos indicativos de um estado anormal
bioenergético.
Outrossim, estes achados não estavam associados à evidência
de inflamação, o que sugere que as anormalidades bioquímicas nos músculos
de pacientes com Fibromialgia possam ter um papel no sintoma de
fadiga.
Outra
hipótese seria a existência de um distúrbio funcional do sistema
neuroendócrino, que poderia contribuir para o desenvolvimento dos
sintomas da Fibromialgia.
Este distúrbio funcional seria caracterizado por uma perturbação
da resposta ao estresse, causada por alteração dos padrões de
liberação de corticotropina, tireotropina e hormônio de crescimento
e, conseqüentemente, as anormalidades dos níveis hormonais
contribuiriam para o espectro dos sintomas fibromiálgicos.
Por exemplo, o hormônio de crescimento que parece estar
reduzido na Fibromialgia (GRIEP et al., 1994), teria como significado
clínico, uma baixa reparação tecidual muscular ao microtrauma e o
aumento da transmissão nociceptiva das fibras nervosas periféricas
aos neurônios do corno dorsal da medula espinhal.
Segundo
GEEL (1994), as disfunções musculoesqueléticas poderiam ser secundárias
a alterações centrais da modulação da dor e da fisiologia do sono,
podendo sere precipitadas por estresse emocional em indivíduos
predispostos geneticamente.
Os recentes estudos nesta área voltam a atenção à
serotonina, principalmente ao seu papel na modulação da dor, agindo
como um neurotransmissor inibitório da liberação de substância P
pelos neurônios aferentes, através de um estímulo periférico.
Neste sentido, RUSSELL (1998) estudando o papel de
neurotransmissores na Fibromialgia, constatou diminuição dos níveis
de serotonina no soro sanguíneo de pacientes com Fibromialgia em
comparação aos controles saudáveis, correlacionando-se com o número
de tender points dos pacientes.
WEIGENT
et al. (1998)
defendem que os traumas físicos, eventos de estresse e agentes
infecciosos poderiam contribuir para o aumento da transmissão
nociceptiva em indivíduos geneticamente suscetíveis.
O trauma físico estimularia diretamente os nociceptores periféricos
que, através da liberação de citocinas, contribuiriam para o
desenvolvimento do metabolismo de colágeno anormal nas terminações
nervosas periféricas, assim como ao microtrauma muscular, resultando
no aumento da transmissão nociceptiva.
Todos estes fatores ambientais contribuiriam para a
hiperexcitabilidade dos neurônios do corno dorsal da medula espinhal
pela substância P e outros neuropeptídeos, tendo como ponto final os
limiares de dor anormais e a dor difusa da Fibromialgia.
Além
da terapia medicamentosa, a fisioterapia tem sido muito preconizada no
tratamento da Fibromialgia (ATRA et al., 1993; DUNA, 1993; WILKE,
1995; ALARCÓN e BRADLEY, 1998).
Dentre os recursos utilizados na fisioterapia para o tratamento
da Fibromialgia estão a estimulação elétrica nervosa transcutânea,
exercícios aeróbicos, relaxamento muscular, massagem e alongamento
muscular.
AVALIAÇÃO
FISIOTERAPÊUTICA
Utiliza-se
a história clínica
onde são obtidos dados gerais do paciente e o exame
físico.
Como
o principal sintoma é a dor, é importante que esta seja
avaliada inicialmente e acompanhada ao longo do tratamento
Um
protocolo que temos usado no ambulatório de Fibromialgia
é composto dos seguintes itens:
*
Anamnese
* Avaliação da dor - escala analógica visual de dor, Questionário
de dor da McGill e dolorimetria
* Avaliação da flexibilidade - Testes de Schober, Stibor
e 3o dedo-chão
* Avaliação das cadeias musculares - Considerando as cinco
cadeias musculares propostas por Souchard: respiratória,
posterior, antero-interna da bacia, anterior do braço, antero-interna
do ombro
* Avaliação do Impacto da Fibromialgia - Fibromyalgia Impac
Measurement (FIC) e agora o SF-36, ambos avaliam a qualidade
de vida do fibromiálgico.
TRATAMENTO
O
tratamento é sempre proposto após realização de avaliação
cuidadosa e procura-se preservar a globalidade.
O objetivo do tratamento é:
*
Eliminação da dor
* Restauração da amplitude de movimento e a flexibilidade
* Melhorar a qualidade de vida
* Promover trabalho educativo -
Além disso é importante uma educação do paciente de modo a
previnir e lidar com as possíveis crises e também bloquear os
fatores perpetuantes ou precipitantes.
O
que diz a literatura a respeito do tratamento fisioterapêutico:
Uma
revisão de literatura feita no MEDLINE e LILACS entre 1980-1999
aponta quatro aspectos enfocados nas propostas de trabalhar
aspectos que lembram a fisioterapia:
a)
Programas de exercícios e treinamento físico: McCain (1986,1988);
Bennet (1989);
Goldman
(1991); van Denderen, (1992); Mengshoel (1992); Viitanen (1993);
Nichols (1994); Marques (1994); Mannerkorpi (1994); Mengshoel (1995a,
1995b, 1995c); Martin (1996); Wigers (1996); Bennet (1996); Buckelew
(1998).
Os
autores referem-se basicamente a exercícios de uma forma geral,
bicicleta ergométrica, treinamenteo cardio-vascular, exercícios de
flexibilidade, exercícios aeróbicos, alongamento e caminhada.
b)
Uso de recursos terapêuticos: São poucos os trabalhos que utilizaram
recursos fisioterapêuticos propriamente ditos e alguns utilizam técnicas
alternativas.
*
Thorsen (1991) - Laser;
*
Haanen
(1991) - hipnoterapia e fisioterapia
*
Deluze (1992) - eletroacupuntura
*
Gunther (1994) - banho hidrogalvânico e relaxamento
* Rothschild (1994) - hipnoterapia
* White (1995) - eletroacupuntura
*
Rucco (1995) - relaxamento
*
Bassan (1995) - (TENS)
*
Pearl (1996) - campo eletromagnético - intensidade da luz
* Blunt (1997) - quiropraxia
* Sarnoch (1997) - biofeedback
*
Stone (1997) - TENS, tração, massagem
*
Gashu (1998) TENS
*
Berman (1999) acupuntura
c)
Programas educativos - São programas propostos para ensinar o fibromiálgico
a lidar com a doença e a ênfase é dada nos programas
cognito-comportamentais:
*
Kogstad et al. (1991); Walco et al. (1992); Nielson et al.
(1992), White et al.(1995); Vlaeyen et al. (1996); Goossens
et al. (1996);
Nicássio et al. (1997);
Keel et al.( 1998); Singh et al. (1998) - cognitivo comportamental
*
Kaplan et al. (1993) - meditação para reduzir o stress
*
Burckhardt et al. (1994a, b, ); Burckhardt et al. (1996);
Bjelle et al. (1996)
- auto-manejamento
*
Mengshoel et al. (1995) - ensinar as AVDs
*
Strobel et al. (1998)
- programa interdisciplinar
d)
Programas
que realizaram trabalhos visando diagnóstico diferencial,
AVDs, FIQ, sintomas, trabalho e disfunção, custo, satisfação,
etc)
*
Bennet (1989); Henriksson et al.
(1992); Hedin et al.(1995); Henriksson e Burckhardt (1996);
Wigers (1996); Pioro-Boisset et al. (1996);
Wolfe et al. (1997 a, b).
Tratamento
fisioterapêutico
É
proposto em função da sintomatologia
apresentada
*
Dor localizada (tender points) - laser, TENS, massoterapia
*
Fadiga: programas de condicionamento físico
*
Dores musculoesqueléticas difusas, cefaléia crônica, rigidez
matinal, parestesias: exercícios globais e exercícios de
alongamento.
Conclusão:
Os tender points são o principal discriminante da fibromialgia
e o controle da sintomatologia e a melhora da qualidade
devida, é o principal objetivo da fisioterapia.
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